Gorda, modelo e nutricionista. Uma quebra de esteriótipos

31.8.15

Oi antenadas, faz tempo que não apareço por aqui! Que saudades de blogar!
Hoje vim, a pedido da amiga Karly, falar sobre as minhas profissões “de gente magra” e estereótipos.

Quem acompanha o blog há bastante tempo, sabe que sou modelo Plus Size e já fiz algumas aparições aqui. Desde criança sou apaixonada por moda e naquele tempo já vivia desfilando pra lá e pra cá por dentro de casa. Eu dizia que queria ser modelo e até mesmo meus pais desacreditavam desse sonho, só por que SEMPRE fui muito gostosa para caber num 38 (risos). Tenho praticamente um metro e meio de altura (minha altura é 1m59) e alguns kg acima do “esperado” para esta altura. Depois de um belo pé na bunda, lá fui eu atrás do meu sonho, entrei em uma agência, desfilei, fiz e faço muitas fotos. Estou longe de ser uma top model plus size, mas me sinto COMPLETAMENTE realizada. Para quem me conhece hoje em dia deve ser difícil imaginar que em algum momento da vida eu fui uma pessoa insegura em relação a minha aparência e quis ser de um jeito diferente. Eu vivo divulgando o amor próprio por aí, mas acho que demorei uns 16 anos para aprender a me amar do jeito que eu sou, para parar de lutar contra o meu corpo, meu peso e minhas curvas. Hoje, aprendi a me aceitar, me amar e me achar linda e a partir de quando eu fiz isso, automaticamente as pessoas começaram a perceber a minha beleza, mesmo fora dos “padrões” estabelecidos pela sociedade. Não vou dizer que nunca fui excluída ou que nunca falaram mal da minha aparência, provavelmente falam até hoje, mas também tem outras  pessoas que falam bem e que se espelham em mim, na minha coragem de expor meu corpo e de me gostar do jeito que eu sou.
A minha outra profissão (e o motivo desse post hoje) é de NUTRICIONISTA! E eu escolhi quando adolescente, lá pelos meus 16 anos, exatamente ali naquele momento que eu ainda estava confusa em me aceitar gorda. Passei os 5 anos da faculdade me perguntando se eu teria que emagrecer para ser nutricionista, porque eu imaginava que os pacientes teriam preconceito com uma nutricionista gorda. Pois é, o preconceito existe. Mas o primeiro paciente que teve preconceito comigo, foi por eu ser nova. Entrei na faculdade aos 17 anos e agora, aos 22, já sou nutricionista e as pessoas não estão acostumadas a entrar num consultório e ver uma “novinha” atendendo. Depois vieram algumas perguntas do tipo: “Nutri, percebi que você também está um pouco acima do peso, por quê”?  “Você não quer emagrecer, não consegue”? E aí eu preciso convencer as pessoas da minha competência em “fazer secar” mesmo eu sendo gorda. Mas a ciência da nutrição é muito mais que emagrecer, a alimentação envolve diversos fatores psicológicos e sociais, além dos fisiológicos e eu preciso saber lidar com o equilíbrio de tudo isso para proporcionar o bem estar físico do meu paciente, sem abalar seu bem estar mental e social. Eu sou feliz com meu corpo e me cuido, tento ter uma alimentação bastante saudável. As pessoas têm uma imagem de que nutricionista é sempre magra, tem pacto com a alface e come salada dia e noite. Mas não é verdade. Nutricionistas são pessoas normais, comem saladas, frutas, tomam sucos (verde e de todas as cores) e buscam ter uma alimentação saudável, mas tem dia que a gente mete o pé na jaca também, não conheço ninguém que não goste de nenhuma comida considerada “pesada”.  Então relevem e revejam seus conceitos, as pessoas têm direito de ser como quiserem, o importante é ser saudável. O nutricionista vai tentar várias estratégias para lhe ajudar a conseguir seus objetivos, seja ele gordo, magro ou malhado, meu corpo não é vitrine do meu serviço. Vale a pena sempre lembrar que cada organismo é único em sua forma e funcionamento e que a blogueira fitness não é nutri, nem o médico, nem o educador físico, o que funciona para eles pode não funcionar para TODOS . #procureumnutricionista.
FELIZ DIA DO NUTRICIONISTA AMIGOS NUTRIS!  Beijos!


1 comentários:

  1. Que lindo post!
    Compreendo bem que nas profissões da área de saúde muitos têm preconceito com o perfil físico. O texto deixou implícito, usando palavras ótimas, que a competência de alguém não é afetada pelas escolhas de vida dele(a).
    Espero ver esses preconceitos serem quebrados. Continue fazendo o que gosta, bela! E haters gonna hate.
    Muitos beijins!

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